Oi, mãe. Eu sinto muito, eu sei que é uma péssima forma de se começar um texto e ainda mais quando se é pra uma mãe. mas você não é qualquer mãe, me pergunto se quando eu nasci você tinha algum sentimento por mim, na verdade eu costumo me perguntar isso ainda .. se lá no fundo da sua alma, que eu sei que você tem uma, você ainda me ama. você me ama? alguma vez você me amou? a senhora sempre me fez acreditar que eu era muito difícil de ser amada, sabia? porque eu sempre pensei que se a pessoa que era programada a me amar independente de qualquer coisa, não me ama .. então quem mais poderia? Eu demorei muito tempo, anos na verdade, pra acreditar que eu merecia o amor, e eu vou demorar mais alguns anos pra acreditar que o problema não sou eu, eu juro, eu tô tentando pra caralho a lidar com meus demônios, todos os dias de manhã eu acordo falando pra eles “hoje não, por favor, só hoje” as vezes eles levantam junto comigo, tomam café, almoçam, até ao mercado comigo eles costumam ir, jantam e dormem e na manhã seguinte eu torno a pedir .. mesmo sabendo que a resposta é “NÃO”, as vezes eu consigo controlar eles, as vezes eles me controlam. graças a você, mãe. graças a você eu tenho paranoia e medo de abandono, me sinto sozinha a maior parte do tempo, sempre me acho o problema, sempre acho que vão me virar as costas e me abandonar a qualquer momento, que posso ser trocada facilmente e acredite, sinto até dores nas costas por conta dos pesos de carrego. a senhora acabou com minha vida, me destruiu .. mas eu só consigo te dizer que sinto muito, sinto muito não ter sido a filha que você queria, que você deveria ter orgulho, nem eu mesma tenho orgulho do que me tornei, piorou você. e eu te entendo, eu também me abandonaria. eu também faria isso comigo, na verdade eu ja fiz isso várias vezes, só que agr por algum motivo, na verdade por alguns motivos .. eu acho que vale a pena lutar por mim, alguém me mostrou e me ensinou isso, alguém me salvou, mãe. alguém me salvou.
Olha Zé, sei que é difícil acreditar, mas já fui mais amável, mais gentil, mais sorridente, e até engraçada. Já fui tão caridosa e companheira ao ponto de guardar minha dor num potinho pra sentir a dor de um amigo. Já deixei de viver meus planos, só pra me encaixar nos planos de uma outra pessoa. Já dispensei um carinha do colegio, por quem eu morria de amores, ao descobrir que uma amiga compartilhava do mesmo sentimento que eu. Já até perdi as contas de quantas e quantas vezes sepultei o orgulho e corri atrás de quem não merecia. Pode parecer bobagem, mas é que eu não suportaria perder alguém que tanto amo, pra um orgulho idiota. Eu juro que enxergava a vida com mais amor, mais colorida. Eu tinha essa mania boba que minha mãe titulou de “dom” de achar que até o pior ser humano do planeta, tinha algo bom, escondido, ainda que bem lá no fundo do peito. Eu era aquela amiga que impulsionava o resto da turma a não desistir jamais. Sempre cheia de fé e esperança, transbordava otimismo. Eu era aquela que aconselhava melhor, abraçava melhor, não abaixava a cabeça, sorria sincero, era forte, e não chorava em público. Esse era o problema, todos achavam que eu era de ferro, Zé, ninguém percebia a minha tristeza camuflada num sorriso, ninguém se importava em perguntar sobre o meu dia, minhas dores, meus medos. Todos me idealizavam invencível. Logo eu, Zé, toda maria -mole, manteiga derretida, chorona de dar dó. Ninguém se esforçava em me descobrir, me desvendar. Acontece que eu também tinha problemas, também perdi noites chorando, também fui decepcionada, também tive o coração partido, estraçalhado. Como qualquer outra pessoa, eu também precisei de um abraço. A questão é que todos estavam ocupados demais me contando dos problemas, chorando em meu colo, pedindo conselhos. Não é possível que nenhum alma sequer, tenha percebido meus destroços, a menina medrosa, implorando por cuidados. Sempre fui a amiga, a conselheira, a ajudadora, mas nunca o tudo de alguém. É uma pena não terem percebido o barulho que o meu silêncio emitia. Você sempre me pôs contra a parede, queria saber o que me motivou a ser tão fria, coração de granito. Agora já sabe. É que por ter sentido demais, hoje eu não sinto mais nada, por ter chorado rios, não consigo derramar uma lágrima sequer. Olha pra mim, diz que ao menos você me entende, diz que sente muito pelo que me tornei, mostra que se importa, talvez assim eu ressuscite. Mas se for demais pra você, eu te entendo. Perdoa o caos que eu me tornei, Zé, eu te amo, meu pai .. você não é o culpado!
você nem imagina a paz que você me causou ao ler sua mensagem e não ter mais vontade alguma de responder.
milábê.
Eu não sou perfeita
Eu não quero ser sempre doce, porque doce enjoa rápido.
Prefiro ser meio azeda, meio doce. Ácida.
Estou longe de ser perfeita…
Odeio andar na linha, seguir regras.
Eu sou o caos.
Sou ventania, tempestade, furacão, maremoto.
Eu sou tudo aquilo que causa estrago, aquela que com certeza
vai te tirar do sério.
Mas acredite, eu tenho meus momentos de calmaria.
Nessa Cross
poetarisando-deactivated2022052:
A emoção de conhecer alguém interessante não se compara com a tristeza de ter que desconhecer. Por que é tão fácil alguém entrar nas nossas vidas mas é tão difícil de tirar?
Eu dou muita atenção, eu mimo, pego no colo, me preocupo, procuro, invisto e insisto, até não dar mais. Eu não tenho medo nenhum de demonstrar o que sinto, porque sei que depois que eu desistir, não volto atrás.
Não se prive de sentir - Sejamor
“A gente fica em silêncio, mas só quem senti sabe quanto barulho faz aqui dentro.”— Chão de folhas.